Três jovens argentinos, criadores de Resgate, um projeto que usa drones para ajudar em situações de catástrofes, conseguiram o terceiro lugar na final global da Imagine Cup, a competição internacional com a Microsoft premia a cada ano, empresários que desenvolvem inovações tecnológicas e o trabalho em equipe.

Ramiro Oliveira, Julián Antonielli e Luciano Mosquera, estudantes de engenharia informática do Instituto Tecnológico de Buenos Aires (ITBA), conseguiram que um time argentino subir pela primeira vez ao pódio nesta competição, que é organizado desde há 15 anos, após vencer na final a 53 projetos desenvolvidos por jovens de 39 países, entre eles alguns com forte tradição de desenvolvimento de software como Estados Unidos, Canadá, Índia, Reino Unido e Brasil.

 

O time argentino, de festividade.

O projeto vencedor é um sistema que recebe as imagens que tomam os drones durante uma catástrofe natural. Em tempo real, o software identifica que tipo de salvamento e pessoal capacitado é necessário em cada situação. A partir daí, gera um alerta instantâneo, que é enviado para os salvadores.

A ideia do projeto surgiu há alguns anos, quando o irmão de Ramiro trabalhou no resgate de vítimas de uma enchente na região centro-oeste, como voluntário da Cruz Vermelha. Lá advertiu que os salvadores não podiam agir tão rápido como eles queriam, devido a certas travas externas, e os jovens se deram conta de que ali havia um nicho para se desenvolver.

Segundo afirmaram os jovens, hoje em dia demora entre dois e nove dias fazer uma primeira avaliação da área afetada, dependendo de fatores como o pessoal de resgate, os recursos técnicos e o clima. Mas as primeiras 12 horas de ocorrida a catástrofe são cruciais para fazer o resgate mais eficiente.

O computador, cujo nome é “Nash”- considera que uma frota de dez drones é o suficiente para cobrir uma área do tamanho da Cidade de Buenos Aires em menos de dez horas, o que reduz de forma significativa os tempos de resposta.

Os jovens ganharam 15.000 dólares de prêmio mais 25.000 em Microsoft Azure (um leque de serviços em nuvem, os quais ResCue usa duas ferramentas de inteligência artificial), além de acesso ao programa BizSpark para continuar desenvolvendo o projeto.

Talento argentino de exportação

Depois de vencer a etapa local, em maio, os estudantes viajaram para Redmond, na sede da Microsoft, para participar da final. Os três talentos argentinos foram superados por uma equipe checo, que fez um programa para ajudar diabéticos a lidar com seus sintomas, e, por um norte-americano, que desenvolveu uma aplicação de realidade mista -virtual e aumentada – para encontrar itens em grandes armazéns.

“Esta foi uma experiência incrível para nós”, disse Oliveira, de 22 anos, e acrescentou: “Da final, na Argentina, foi difícil. Antes de viajar para os Estados Unidos acreditei que ia ser impossível. Ao ver os projetos e as universidades com as quais competiríamos não tínhamos muitas expectativas. No entanto, uma vez em Redmond, nos demos conta do que ele tinha potencial do nosso projeto, que era bem sólido em tecnologia, inovação, viabilidade, conceito e estava à altura dos melhores do mundo”.

“A experiência foi única para nós, que amamos o nosso projecto e trabalhamos muito duro todos estes meses. Em Redmond, havia muitos projetos interessantes e complexos, a experiência foi muito estressante, mas tudo rendeu seus frutos amei poder participar”, disse por sua parte Mosquera, de 25 anos.

Origem: tn.com.ar